28 de junho | Seja tudo em cada coisa, orgulhe-se de quem você é: 10 filmes LGBTQIA+

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

– Fernando Pessoa

Como posso ser grande, se ainda existe uma sociedade que insiste em me querer pequena? Como pode ser inteira, se continuo caminhando em uma estrada que quer me arrancar uma parte?

A comunidade LGBTQIA+ celebra hoje o dia do orgulho e é realmente um dia para se orgulhar de todas as nossas conquistas. Conquistas que representam nada mais, nada menos do que a possibilidade de simplesmente ser por inteira.

Orgulhar-se por ainda estar viva, de pé e lutando no país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo, no país onde um de nós é assassinado a cada 26 horas.

Orgulhar-se porque (somente) em 1990 a homossexualidade deixou de ser considerada pela OMS uma doença. Há 30 anos, o mundo entendeu que eu tenho o direito sobre o meu próprio corpo para me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Orgulhar-se de existir, a partir de 2010, a possibilidade para um casal homossexual de adotar e criar uma criança. Orgulhar-se por ser considerado um ser humano portador de um sangue digno de poder ser doado, isso desde maio de 2020.

Todas essas datas absurdamente recentes demonstram avanços e motivos de orgulho. Mas apontam principalmente para um fato que provoca, agride, machuca, destrói: a sociedade ainda não nos consegue enxergar por inteiro. O coletivo humano padronizado em caixas binárias ainda não nos permite colocar tudo o que somos em cada coisa que fazemos.

No entanto, somos tão imensas que o fazemos de qualquer maneira. Somos tão grandes que estamos presentes em casa mínimo detalhe de uma sociedade monocromática que, não sabe que precisa, mas clama por cores. Cores que representam a totalidade do que é ser humano, cores que representam o que se quer apagar a todo custo. O não humano, o não normal, o não natural é não conseguir entender e enxergar isso.

Continuaremos a ganhar espaço, continuaremos a nos mostrar, continuaremos sendo inteiras e assim, iremos brilhar tão alto que nada, nunca, será capaz de apagar aquilo o que realmente somos, aquilo o que nascemos para ser, aquilo que nos distingue enquanto seres humanos. Somos grandes, somos inteiras, somos orgulho!

Carol (2015)

Após uma jovem lojista chamada Therese (Rooney Mara), se perceber encantada por uma mulher mais velha e atraente chamada Carol (Cate Blanchett), as duas partem em uma viagem pela qual consumam uma paixão tácita uma pela outra – que acaba por arruinar o casamento de Carol e desperta desejos sombrios em Therese.

A Gaiola das Loucas (1996)

O remake americano do filme francês, La Cage aux Folles, mostra Robin Williams como proprietário de uma boate gay cujo filho anuncia seu noivado com a filha de um político ultra-conservador. Então, seu parceiro (Nathan Lane) – a estrela do show de drag de seu clube – se apresenta como sua esposa desleixada, a fim de convencer os futuros sogros de seu filho de que eles são uma família americana aceitável.

Meninos Não Choram (2000)

Esse filme é um pioneiro nesta lista a tratar a questão de gênero. O desempenho inovador de Hilary Swank ancora o filme de Kimberly Peirce sobre o assassinato do homem trans da Nesbraskan, Brandon Teena. Boys Don’t Cry recebeu originalmente um NC-17 por abordar questões trans, mas depois foi rebaixado para um R.

Me Chame Pelo Seu Nome (2017)

Um filme dolorosamente bonito e sensível sobre a descoberta da homossexualidade. Timothée Chalamet interpreta o precoce Elio, um adolescente que mora na Itália e se apaixona por um estudante americano mais velho, Oliver (Armie Hammer), que fica com a família durante o verão. O que começa como uma amizade, se transforma em um caso de amor completo, enquanto os dois jovens passam seus dias de verão preparando-se para um inevitável problema.

A Cor Púrpura (1986)

Em sua estréia no cinema, Whoopi Goldberg interpreta Celie, uma mulher afro-americana no início do século 20, que luta contra a opressão e o abuso e encontra um amor inesperado pelo caminho.

Uma Mulher Fantástica (2017)

Quando seu parceiro mais velho, Orlando, morre repentinamente, Marina deve colocar seu pesar em pausa, pois a ex-esposa e família de Orlando imediatamente a evitam porque é transgênero. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o drama de Sebastián Lelio apresenta uma emocionante atuação principal da atriz Daniela Vega.

The Watermelon Woman (1996)

Cheryl Dunye dirige e protagoniza o longa sobre uma lésbica negra em busca de uma atriz também negra não creditada de um filme dos anos 30. Ao longo do caminho, ela conhece uma mulher inesperada e incrível.

Corações Desertos (1985)

O drama romântico lésbico dos anos 80, Desert Hearts, segue uma professora de inglês e uma jovem escultora enquanto elas se apaixonam em uma fazenda na década de 1950. Único para a época de lançamento, ele define um romance em um ambiente acolhedor e afirmativo, permitindo que suas personagens desfrutem de um relacionamento sem a angústia ou medo da morte.

Moonlight (2016)

O diretor Barry Jenkins explora a masculinidade e a repressão através de um personagem que amadurece em Miami (e interpretado por três atores diferentes em vários estágios de sua vida) que luta contra sua identidade sexual em meio a seu relacionamento conturbado com sua mãe viciada em crack. Ele deseja se libertar do caminho predeterminado traçado para si pelo ambiente em que vive.

Assunto de Meninas (2001)

Mary vai para um colégio para meninas, onde fica amiga de Tory e Paulie. Ela percebe que a amizade das duas é mais que isso, mas a situação foge ao controle quando, por pressão da família, Tory afasta-se de Paulie e começa a namorar garotos.