Crítica | Bohemian Rhapsody: um belo espetáculo musical perdido em um drama exagerado

Freddie Mercury é uma lenda. Um dos maiores músicos conhecidos, um ícone respeitado. Em seus mais de vinte anos de Queen, Freddie, ao lado dos demais integrantes da banda, revolucionou a música. Bohemian Rhapsody tinha a responsabilidade de narrar toda essa grandiosidade, levando em consideração o homem à frente da banda, mas também o homem por trás do músico. O caminho não foi fácil.

Em meio a enorme polêmica de troca de diretor durante as gravações, com a saída de Bryan Singer e a entrada de Dexter Fletcher, o longa desenvolveu-se bem. A essência dos anos 70 e 80 estão muito bem ali representadas. O figurino é excelente e a fotografia capaz de nos dar a visão de um mundo que reflorescia em uma nova fase do rock.

O Queen foi um espetáculo enquanto durou e merecia ser representado a altura em seu longa metragem. Esse objetivo foi alcançado com êxito. As canções colocadas em cena são muito dirigidas independente do cenário de execução, e mesmo com as quebras na linha do tempo, a narrativa se confirma enquanto um belíssimo espetáculo musical.

Contudo, apesar de Mercury ter vivido para figurar longe dos planos padronizados e repetitivos, o filme que lhe é dedicado parece ignorar esse fato. A narrativa de sua vida, nem um pouco comum, incluindo os momentos mais complexos, como a homossexualidade e a AIDS, foram encaixados em uma linha de superação. Uma visão exageradamente sensível e romantizada que torna o longa exaustivo em diversos momentos.

Isso seria o suficiente para tornar o longa maçante, se não fosse pela brilhante atuação de Rami Malek, que incorpora a figura do ídolo britânico com precisão, sem a necessidade de abusar de trejeitos caricaturais. Rami é potente do início ao fim e sua atuação acompanha as transformações do músico de maneira excepcional. Rami é Freddie no palco e esse é um show à parte.

Bohemian Rhapsody, apesar de algumas falhas de roteiro e um certo comodismo na narrativa, consegue acertar em pontos chave como a relação do vocalista com os demais membros da banda, detalhes dos momentos de composição e naquilo o que o Queen fazia de melhor para os fãs, que era estar no palco e encantar. No entanto, para o público geral, o filme exagera no drama é perde aquilo o que Freddie tinha de melhor, sua autenticidade.

FICHA TÉCNICA:

Título: Bohemian Rhapsody 
Direção: Bryan Singer, Dexter Fletcher
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Aidan Gillen, Tom Hollander, Mike Myers, Aaron McCusker, Dermot Murphy