Crítica | Death Note: narrativa pobre com um belo visual

Death Note, novo filme da Netflix baseado no conhecido e diversas vezes adaptado mangá homônimo, gerou expectativas, mas parece não atender nenhuma delas. Aos que estiverem lendo essa crítica, saibam que a mesma se atém apenas ao live-action do serviço de streaming, nem o mangá ou qualquer outra das adaptações são levadas em conta como quesito de comparação.

O filme tem um bom início, uma trilha sonora que cria com o público leigo uma conexão, como uma promessa de que grandes coisas estão por vir. Somos apresentados a Light Turner (Nat Wolff), jovem, ainda no ensino médio, que se encaixa perfeitamente nos protagonistas das sagas adolescentes: sozinho, quieto, aparentemente inteligente demais para a média. Para quem não conhece a história original, nos primeiros minutos o longa entrega um roteiro que chama a atenção. A figura de Ryuk (Willem Dafoe) nos remete, mais uma vez, a algo importante que está por vir. Mas então, as falhas começam.

Light inicia uma matança politicamente correta ao lado de sua namorada Mia (Margaret Qualley), então, exaustivamente assistimos a ideia que está subentendida no filme de que o protagonista é realmente muito inteligente, porém essa inteligência fica visível somente no início da trama, quando ele é pego por fazer o dever de casa de outros alunos. Fazer a lição de matemática repetidamente não significa que alguém possa ser um gênio do crime as avessas.

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Imagem divulgação – Death Note

Nesse ponto do filme, Light ou Kira – forma como ele assina os assassinatos –  já é o criminoso mais procurado da história e pouco se falou no caderno. Talvez essa seja a falha mais gritante na obra Adam Wingard, o caderno responsável pelas mortes e aquele que dá nome ao filme é apenas um pano de fundo para a perseguição insana realizada por um, antes misterioso e complexo detetive particular, depois um menino mimado, histérico e sem qualquer bom senso, chamado L (Keith Stanfield).

E então, no terceiro e último ato do filme, temos a completude de algo que não deu certo. A produção se joga na onda dos clichês e, mesmo que o final tente soar surpreendente, já sabíamos exatamente qual seria desfecho. O início promissor desaparece do meio para o fim e quando percebemos, estamos assistindo mais um filme de ação com um personagem adolescente que achou que poderia muito e caiu em uma grande armadilha montada por ele mesmo. Ao final, com a deixa de uma continuação, nos perguntamos se em uma sequência seria possível consertar todos os erros cometidos nesse primeiro filme.

Todavia, o que nos convence a assistir a narrativa do início ao fim é a bela montagem de cenários e a fotografia. Esses itens trabalham muito bem com a trilha sonora já citada, montando uma atmosfera propicia às mortes arquitetadas por Kira. Nesse aspecto a obra merece todos os elogios e é realmente uma pena que o restante não consiga alcançar o mesmo padrão.

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Imagem divulgação – Death Note

O elenco se esforça, mas fica nítido que a condução foi precipitada, os exageros estão por todos os lados e o personagem que mais chama a atenção é o que menos ganha destaque. Willem Dafoe empresta a sua voz a Ryuk e faz um excelente trabalho, mesmo com poucas cenas, aparece sempre enigmático, oxigenando a narrativa e nos dando esperança, sua última aparição é o que nos deixa ainda com alguma mínima expectativa para um próximo filme que, caso aconteça, esperamos que dê mais destaque ao caderno e ao seu protetor.

Em resumo, Death Note desperdiça suas possibilidades com um roteiro pobre que, de fato, não se esforça muito para surpreender. O lado bom, é que não há a mínima necessidade de um conhecimento prévio sobre a história original, tudo é muito mastigado, com explicações, inclusive, desnecessárias. Uma mistura de filmes de super-heróis e odisseias adolescentes, em meio a um esforço para manter uma bela narrativa visual, seria uma maneira de definir a adaptação da Netflix.

FICHA TÉCNICA:

  • Título: Death Note, 2017
  • Direção: Adam Wingard
  • Roteiro: Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides, Jeremy Slater (baseado no mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata)
  • Elenco: Nat Wolff, Margaret Qualley, Willem Dafoe, Lakeith Stanfield, Shea Whigham, Jason Liles, Paul Nakauchi, Masi Oka

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