Crítica | Invasão Zumbi: filme coreano mostra que a temática ainda tem futuro

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Imagem divulgação – Invasão Zumbi (Busanhaeng)

Nessa grande leva de zumbis no mercado audiovisual, o que temos visto nos últimos anos é um esgotamento da temática e uma ressignificação do que é um zumbi.  E essa quantidade de mortos-vivos sendo arremessada nas telas tem pontos positivos e negativos, mas, principalmente, essa enxurrada de novos modelos para o tema tem levantado o questionamento clássico que também foi feito aos filmes com vampiros: “já deu?” Afinal, um dos grandes problemas da indústria do audiovisual é não saber a hora de parar. No entanto, aqui estamos falando de produções majoritariamente estadunidenses, talvez, nesse campo de produção realmente não exista mais a possibilidade de realizar grandes produções do gênero, isso fica evidente, inclusive, no ritmo maçante e pouco desenvolvimento na série The Walking Dead. Mas esse não é o caso da produção sul-coreana Invasão Zumbi do diretor Sang-ho Yeon que, com a mesma temática clássica, consegue realizar uma das melhores produções com zumbis dos últimos anos.

O filme segue um modelo narrativo usual, porém complexo. Os personagens são um a um apresentados rapidamente, mas com uma precisão e sutileza que nos contam exatamente quem são eles. Em cada gesto ou frase somos apresentados minimamente ao caráter desses indivíduos. Nesse momento inicial, onde os mortos ainda aguardam para entrar em cena, a direção mantém um ritmo de tensão que está presente no ar, nenhum dos personagens sabe ou sequer imagina o que irá acontecer, mas é como se todos eles estivessem com um enorme mau pressentimento.

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Imagem divulgação – Invasão Zumbi (Busanhaeng)

Os vagões do trem – espaço onde se passa a maior parte da história – possuem um tamanho normal e isso não se altera em momento nenhum, essa observação pode parecer desnecessária, mas é muito comum esbarrarmos com produções que se propõem ao espaço claustrofóbico e, de repente, o espaço se agiganta para que cenas absurdas possam ser realizadas. Dito isto, é preciso citar a direção de fotografia que trabalha em uma primorosa sintonia com a direção geral e faz com que as cores azul, verde e amarelo dos vagões representem a tensão ali estabelecida, mas a cada vagão livre surge uma esperança. Para intercalar o horror e a calmaria, iluminações baixas e altas.

A obra de Sang-ho Yeon também evoca os dilemas morais vividos pelos seres humanos há milênios: deixamos de ser bons em situações de perigo ou é em situações de perigo que realmente nos unimos? O filme coloca na mesa as duas perspectivas, assim como uma terceira corresponde a fácil manipulação diante de situações catastróficas, mas também em decisões simples. O zumbi está “morto”, não pode ser culpabilizado por suas atitudes, a salvação depende do trabalho conjunto dos vivos que quase sempre esbarra em posicionamentos egoístas.

Nesse cenário de tensão e contradições humanas, o filme não para um minuto. Ponto para os zumbis que em um sensacional jogo corporal que soa cômico e assustador ao mesmo tempo – a gente riu, mas foi de nervoso – se multiplicam com uma velocidade impressionante e avançam por cima de qualquer coisa que esteja no caminho com uma voracidade brutal. Objetivo não está em se alimentar de toda a carne humana, uma mordida basta e isso gera uma tsunami deles.

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Imagem divulgação – Invasão Zumbi (Busanhaeng)

O ponto negativo está nas cenas finais, quando o diretor parece se perder em seus objetivos iniciais e joga nas telas algo muito semelhante ao filme Guerra Mundial Z, no qual zumbis se amontoam de uma maneira que não ocorreu em nenhuma das partes anteriores. Porém, é apenas um surto e tudo volta ao normal, o longa retoma a sua narrativa bem trabalhada e nos dá um final digno de seu início e meio. Os créditos sobem de maneira súbita e ainda ficamos estáticos por alguns minutos, até que percebemos que muito ainda pode ser explorado dentro temática e mesmo que da maneira clássica, o sul-coreano Sang-ho Yeon demonstra esse fato com o seu olhar sobre a humanidade e os nossos dilemas que nunca se esgotam.

Invasão Zumbi está disponível na Netflix!

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