Crítica | Lady Bird – É Hora de Voar: a poderosa simplicidade de Greta Gerwig

Muito neste blog já falamos sobre Greta Gerwig e as inúmeras conquistas que o seu filme de estreia atuando tanto na direção, quanto no roteiro, Lady Bird – É Hora de Voar, tem alcançado. Greta é uma grande atriz muito celebrada entre o meio independente, é a nossa eterna Frances – do filme Frances Ha -, mas ela não pode e não deve mais ser lembrada somente pelo seu imenso talento enquanto atriz, Greta merece ser vista, ouvida e respeitada enquanto uma fantástica cineasta.

Pode parecer soberbo ou ainda precipitado afirmar com tanto afinco o brilhantismo da diretora, mas a questão é que no quesito direção não existe um tiro de sorte e Lady Bird é uma produção que comprova isso. Já em suas primeiras cenas, o filme mostra a destreza com que Greta conduz a sua câmera e o seu elenco.

A história de Christine McPherson é como a de muitos adolescentes pelo mundo: tentativas de se encaixar em um grupo, namoros, conflitos de amizade e, principalmente, desentendimentos com a mãe e são nesses pontos que a qualidade da diretora e roteirista ficam evidentes. A construção do roteiro é simples, sem qualquer grande reviravolta emocional ou processos forçados de extrema complexidade, na verdade, a narrativa é apresentada de uma maneira tão sutil que em cinco minutos de filme já estamos apegadas as personagens principais.

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Imagem divulgação – Lady Bird

Por falar em personagens, esses são construídos com tamanha naturalidade que em diversas partes do filme é possível se pegar pensando “nossa, mas eu fiz isso”, “conheci um rapaz exatamente assim” ou ainda “isso é algo que minha mãe diria”. Saoirse Ronan interpreta uma protagonista altamente falante que contrasta diretamente com a personagem silenciosa e que quando fala dificilmente agrada, de Laurie Metcalf. Dessa maneira, diálogos simples explodem nas expressões das atrizes.

Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme em comédia, Lady Bird não se dá ao trabalho de criar piadas, é o cotidiano e a vida de uma adolescente no ano de 2002 que nos faz rir. A direção e o roteiro precisos mostram com perspicácia e beleza momentos triviais que para adolescentes possuem toda a importância e marcam para uma vida inteira e, anos depois, ao refletir sobre as situações, as risadas são inevitáveis. Essa é uma das maiores belezas do longa: a sua nostalgia na mais pura forma.

Dentro desse universo, Greta constrói uma jornada de amadurecimento que nunca se esgota: quando se ganha uma batalha, o prêmio é a batalha seguinte, porém a sua base principal será sempre aquilo o que te fez (ou obrigou a) crescer. É um filme sobre a petulância adolescente, a ideia de que o mundo irá mudar quando finalmente for possível se desprender das raízes e criar os próprios galhos. Quando sobem os créditos finais, o que fica é um sorriso no rosto e a sensação de ter vivido todos os momentos com Lady Bird.

FICHA TÉCNICA:

  • Título original: Lady Bird
  • Direção: Greta Gerwig
  • Roteiro: Greta Gerwig
  • Produção: Eli Bush, Evelyn O’Neill, Scott Rudin, Jason Sack, Lila Yacoub
  • Música: Jon Brion
  • Fotografia: Sam Levy

 

 

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