Especial | Mulheres que revolucionaram: Angela Mao, The Lady Kung Fu

Imagem divulgação – Stoner (1974)

Em Taiwan, no ano de 1950, nascia Angela Mao. Uma das maiores estrelas do Kung Fu, foi criada por pais que eram artistas de ópera. Assim, ela recebeu uma educação voltada às artes marciais e da voz. A sua dedicação e clara aptidão para as práticas, a levaram ao mundo dos filmes. Ainda com vinte anos, Angela Mao se despediu de Taiwan e foi para Hong Kong iniciar a sua carreira.

Trabalhou durante alguns anos no mesmo ofício de seus pais, a ópera, até que foi encontrada por Raymond Chow, um produtor que procurava por uma mulher que pudesse ser tão boa quanto Bruce Lee. Raymond não imaginava o quanto ela poderia ser boa.

A sua estreia no cinema de Kung Fu aconteceu no longa The Angry River, em 1970. Angela alcançou o estrelato como um meteoro, o seu estilo de luta impressionava os melhores do campo e foi dessa maneira que a atriz e lutadora não tornou-se apenas uma grande estrela dos filmes de kung fu, mas foi graças à ela que mulheres puderam ingressar no mundo das artes marciais cinematográficas.

Em Hapkido, filme de 1972, também conhecido como Lady Kung Fu, Angela Mao é nada menos do que genial em seu estilo de luta. O “lady” do título alternativo pode soar um tanto quanto machista, mas a verdade é que Angela Mao apresenta coreografias que simplesmente destroem qualquer um dos oponentes com uma elegância fora do comum, os seus movimentos são leves e impiedosos, concordando com a grande mensagem do filme: “tenha paciência”.

Nos anos setenta, durante o auge de sua fama, ela estrelou Enter The Dragon, que a levou ao reconhecimento internacional ao lado de Bruce Lee. Boatos contam que por sua participação no filme, ela recebeu apenas cem dólares, fato que Angela não confirma e por vezes respondeu da mesma maneira, ela prefere pensar na qualidade do filme e de seu papel e não no valor que recebeu.

Daí em diante, ela seguiu o seu caminho e fez inúmeros filmes e concretizando-se como um dos maiores nomes do do gênero e da luta em vários estilos – hapkido, taekwondo, kung fu, wushu, eram algumas das práticas. No entanto, de uma hora para a outra, Mao desapareceu das telas e do alcance do público na década de noventa, quando realizou o seu último filme em 1992.

 

Ao contrário do já citado Bruce Lee, que tinha uma evidente obsessão pela fama através de seus filmes, Angela Mao adentrou ao mundo do cinema apenas como uma forma de se manter e ajudar a sustentar a sua família. O objetivo nunca foi a fama, mas sim as oportunidades e os filmes representavam as possibilidades mais bem pagas. Angela Mao abandonou as telas para se dedicar à família e ao negócio de restaurantes que controla no Queens, em Nova York, EUA.

A ex-atriz, agora administradora e eterna mestre das mais variadas artes marciais, Angela Mao não se importa muito com o seu status de ícone feminista, ela se diz tradicional e que não reflete muito sobre o poder feminino e o poder masculino. Hoje, aos sessenta e sete anos, ela se descreve como uma pessoa tradicional e não enxerga a sua carreira como uma questão de gênero: “eu apenas fui eu mesma. Sou forte e sou poderosa, foi assim que me tornei a mais importante atriz feminina de Kung Fu na minha época.”, disse Angela em entrevista ao The New York Times.

Angela Mao responde aos questionamentos relacionados à luta feminista basicamente da mesma maneira que muitas outras mulheres de sua época respondem. Afinal de contas, são vitórias pessoais e provenientes, de fato, de muita força e poder para continuar em uma área como a dos filmes de Kung Fu, altamente masculinas.

Todavia, não é à toa que Mao é vista e reconhecida enquanto um ícone feminista. O seu trabalho formou uma geração de meninas que poderiam ter crescido apenas com a imagem do Bruce Lee, meninas e mulheres que perceberam que elas também podiam ser a exceção, ou melhor, que não era necessário ser uma exceção, uma mulher poderia treinar e estar no mesmo patamar que os homens. Angela Mao foi a primeira mulher a estrelar um filme próprio de Kung Fu, um filme no qual a mulher não precisaria ser menos que um homem, tudo isso em uma época onde mulheres em cena eram consideradas objetos de decoração, mudas.

Com quase quarenta filmes no currículo, Angela Mao, enquanto mulher, revolucionou as artes marciais, o cinema e o mundo. E ainda revoluciona pela força de não ter cedido ao estrelato, tomado a decisão de priorizar a sua família, criar o seu  próprio negócio e buscar pelo anonimato.

Imagem divulgação – Hapkido (1972)

“O quão famosa eu fui? Bom, quando eu era alguém, Jackie Chan não era ninguém.”

Angela Mao

4 comentários em “Especial | Mulheres que revolucionaram: Angela Mao, The Lady Kung Fu

  • 29 de novembro de 2018 em 23:54
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    Essa mulher é simplesmente lendária. Vida longa à Mestra Mao Ying.

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  • 29 de novembro de 2018 em 23:56
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    Essa mulher é simplesmente lendária. Mestra Angela Mao.

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  • 21 de março de 2019 em 12:36
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    Caramba!Gostei muito do artigo do seu site. Estarei acompanhando sempre.Grata!!!

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    • 25 de março de 2019 em 22:40
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      Que alegria! Ficamos muito felizes!

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