Especial | Mulheres que revolucionaram: Kathryn Bigelow, primeira mulher a vencer o Oscar de melhor direção

Kathryn Bigelow é dona de um enorme feito na história: a quarta mulher a ser indicada na categoria de melhor direção foi, então, a primeira mulher a receber um Oscar da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas como melhor diretora.

Em 1951, ano em que a Disney lançava o icônico e eterno Alice no País das Maravilhas, Billy Wilder, um dos mais brilhantes cineastas da história, realizava A Montanha dos Sete Abutres, e Gene Kelly encarnava mais um musical de sucesso, Um Americano em Paris, era também o ano em que nascia Kathryn Bigelow. E o seu caminho até o Oscar foi longo.

Antes de ingressar no cinema, a diretora que também possui grande talento para a pintura, formou-se no Instituto de Artes de São Francisco, mas optou por partir para outras telas. Graduou-se pela Columbia Film School e somente em 1982 realizou o seu primeiro filme enquanto diretora. The Loveless, um drama independente também roteirizado por ela e protagonizado por Willem Dafoe, marcou a sua entrada no ramo do cinema.

Em 1991, começam as parcerias entre Kathryn e James Cameron, seu ex-marido. O filme Caçadores de Emoção (Point Break), dirigido por Kathryn e produzido por Cameron, chamou a atenção da crítica para a diretora que, na sequência dirigiu os filmes Estranhos Prazeres (1995), O Peso da Água (2000) e K-19: The Widowmaker, este último deixando bem marcadas as suas características enquanto diretora e os temas que ela viria a abordar.

Mas foi somente em 2010, por Guerra ao Terror (The Hurt Locker) que Kathryn conquistou a maior honraria do cinema mundial. Além de receber o Oscar, ela também venceu o Directors Guild of America (Sindicato dos Diretores) e o BAFTA, além de ter sido indicada na mesma categoria ao Globo de Ouro.

Kathryn Bigelow

No Oscar, ela concorreu com James Cameron (Avatar), Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios), Jason Reitman (Amos Sem Escalas) e Lee Daniels (Preciosa – Uma História de Esperança). Todos estes diretores consagrados viram Kathryn Bigelow subir ao palco naquela noite, ainda em 2010, sem grandes movimentos na mídia pela igualdade, receber o prêmio de melhor direção e melhor filme. Desde 2010, nenhuma mulher havia sido novamente indicada na categoria até este ano, quando Greta Gerwig recebeu a indicação por Lady Bird.

Trabalhando sem uma grande preocupação de se engajar em movimentos prol igualdade de gênero, Kathryn acaba o fazendo em seu próprio trabalho. Kathryn abraçou a guerra como uma temática e demonstrou através dos seus filmes o quão horrendas estas podem ser.

Mulheres devem entrar no mundo dos homens todos os dias, lutando por respeito e liberdade. Kathryn, além de estar presente em uma área masculina como a direção de cinema, resolveu trabalhar um tema ainda mais masculino e dominado em todos os âmbitos por homens: a guerra. Todavia, ela demonstra a sua força ao dispor de um olhar altamente humano e sensível sobre as suas histórias, mas sem perder a capacidade de criar uma experiência intensa e assustadora, com personagens quebrados por uma sociedade doente.

Kathryn Bigelow revolucionou a história, o cinema e a cultura ao se tornar não só a primeira mulher a vencer o Oscar de melhor direção, mas ao se tornar a primeira mulher a vencer o Oscar de melhor direção e de melhor filme com uma produção que trabalha a guerra e os horrores comumente orquestrados por homens poderosos nos governos. E segue revolucionando por retratar tramas cruéis que incomodam o público pelo simples fato de estarem bem próximas da realidade.

É um cinema atual, imponente, importante, que merece e deve ser visto!

Kathryn Bigelow com os Oscars de melhor direção e melhor filme

“Se existe alguma resistência específica contra mulheres que fazem filmes, eu simplesmente escolhi ignorar isso como um obstáculo por duas razões: eu não posso mudar meu gênero e me recuso a parar de produzir filmes. É irrelevante quem dirigiu um filme, o importante é que você ou responde a ele ou não”. – Kathryn Bigelow

 

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