Esse é o motivo de Uma Thurman estar brava | Leia o depoimento da atriz para o The New York Times

Uma Thurman em depoimento ao The New York Times

Em 2017, enquanto a bolha de abusos sexuais cometidos por Harvey Weinstein explodia, Uma Thurman disse que o produtor merecia sofrer por muito tempo e não apenas em um único golpe. Disse também que falaria sobre os abusos do produtor em um momento em que ela estivesse “menos brava”.

Agora, Uma decidiu falar abertamente e, além de Weinstein, o diretor Quentin Tarantino, que disse não saber dos abusos cometidos pelo produtor, também foi citado.

“Eu o conheci bem antes dele me atacar. Ele passava horas me falando sobre possíveis projetos, ele me elogiava e me validava. Mas eu nunca fui uma queridinha do estúdio. Ele me mantinha numa coleira com os filmes e diretores que ele achava que eram os certos para mim.” Disse Thurman.

Nos anos 90, Weinstein, além de assediar Uma profissional e moralmente, partiu para o assédio sexual, aparecendo em reuniões somente de roupão. “Eu não me senti intimidada. Achei que ele estava sendo só rotineiro, como um tio doidinho e excêntrico.” Mas Harvey não era somente um excêntrico, era um abusador que a levou para uma “reunião” em uma sauna onde se insinuava para Uma, ao ser interrogado pela atriz, ele foi embora.

E o produtor atacaria novamente em uma outra suposta reunião: “Ele me empurrava pra baixo e tentou se esfregar em mim. Ele tentou ficar pelado pra mim. Ele tentou todo tipo de situação desagradável. Eu me sentia um animal me torcendo para fugir, como uma lagarta.”

Após o episódio, o produtor insistia em marcar reuniões sobre possíveis projetos. Mas a história dos homens de Hollywood se repete desde os primórdios dos estúdios e ela sabia bem disso, foi estuprada por um ator 20 anos mais velho, quando ela tinha apenas 16.

Em uma outra reunião ela afirmou ao produtor: “Se você fizer o que fez comigo com outras pessoas, você vai perder sua carreira, sua reputação e sua família. Eu te prometo isso.” A resposta de Weinstein foi simples, porém devastadora. Ele iria acabar com a carreira dela.

Então, Kill Bill, filme mais marcante da atriz, projeto realizado em parceria com o Tarantino estava para sair do papel. Uma contou a Tarantino sobre os episódios com Weinstein e pedia para que ele não trabalhasse com o produtor, mas Quentin desconversava e mesmo após confrontar Weinstein, decidiu manter o filme com a produtora. O máximo que o produtor fez foi pedir desculpas, bastando para o diretor.

Tarantino exigiu que a atriz filmasse a famosa cena em que ela dirige um carro falando com a câmera sem o uso de dublê. A cena, considerada brilhante e com ares de filme noir, precisava ser realizada com o carro na velocidade de 65km/h, para que o cabelo voasse. A estrada era péssima e o resultado foi uma batida que deixou Uma no hospital e com sequelas para toda a vida. Uma processou o estúdio, nada aconteceu. A cena consagrou Tarantino.

“Quando eles se voltaram contra mim depois do acidente… Eu deixei de ser uma colaboradora criativa de Kill Bill e uma atriz, eu passei a ser uma ferramenta quebrada.”

“Harvey me atacou mas não me matou. O que mais me doeu no acidente foi que tudo aconteceu por uma cena barata. Eu já tinha passado por tanta coisa até aquele momento. Eu sempre senti uma conexão muito forte com o meu trabalho com Quentin e muito do que eu deixei acontecer comigo e fiz parte eram, para mim, como brigar com um irmão mais velho. Mas eu achava que eu estava colaborando, sabe?”

“Eu levei 47 anos para parar de chamar de ‘apaixonadas por mim’ pessoas que são simplesmente más comigo. Levei um tempo enorme porque, quando somos garotas, nós somos condicionadas a acreditar que crueldade e amor estão interligados. Isso vem de uma época que nós precisamos nos distanciar urgentemente.”

Leia o depoimento completo de Uma Thurman ao The New York Times.

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