Festival de Cannes 2018 | Atrizes negras fazem manifestação por visibilidade e igualdade

O Festival de Cannes deste ano está sendo um grande palco para a manifestação e luta de mulheres pela igualdade de gênero. Depois que 82 mulheres utilizaram o tapete vermelho para se impor diante da discrepância entre os gêneros em todos os aspectos, 16 mulheres negras fizeram uso do mesmo espaço simbólico para exigir maior representatividade no cinema francês.

Aïssa Maïga, de nacionalidade franco-senegalesa, liderou a ação que também promoveu o livro  Noire n’est pas mon métier, escrito pelas 16 atrizes que discorrem sobre o que é ser uma mulher negra dentro do cinema francês, desde o racismo até os papéis estereotipados que ainda são recorrentes.

Nadege Beausson-Diagne, Eye Haïdara, Rachel Khan, Sara Martins, Sonia Rolland, Magaajyia Silberfeld, Marie-Philomène Nga, Sabine Pakora, Firmine Richard, Shirley Souagnon, Mata Gabin, Maïmouna Gueye, Assa Sylla, Karidja Touré, France Zobda e Aïssa Maïga assinam o livro.

“Ainda bem que seus traços são finos”. “Mas você não é negra o bastante para fazer uma africana”. “Você fala africano?”. foram algumas das frases que elas citaram ouvir todos os dias. No livro estão também os relatos de assédio, humilhações, falta de oportunidades, mas também de muita resistência.

Durante a manifestação, elas foram acompanhadas pela cantora e musicista do Burundi Khadja Nin, membro do júri da competição principal. Este ano, tivemos em Cannes apenas um filme de uma cineasta negra, Rafiki, dirigido pela queniana Wanuri Kahiu, e também no júri, esteve Ava Duvernay, diretora americana.