Crítica | Britannia – Temporada 1

Britannia é uma série histórica, ambientada por volta de 43 d.C, quando o exército do Império Romano chega à Britannia, uma terra misteriosa e repleta de guerreiras e druidas com poderes místicos.

Contudo, essa característica histórica não quer dizer, de maneira nenhuma, que ela tenha um roteiro completamente aportado em fatos históricos. Portanto, se você é o tipo de pessoa que não aceita fatos históricos distorcidos ou uma caracterização que não represente como as coisas realmente funcionavam meio século depois de cristo, essa não é uma produção para você.

Sobre essas questões históricas retratadas de forma nada minuciosa, a produção é honesta. Logo na abertura, a série mostra a que veio com música e gráficos pertencentes a cultura pop, que de tão contemporâneos não combinam com a própria narrativa, porém, à despeito das opiniões sobre a abertura, fica claro que o realismo histórico não é uma preocupação, pelo contrário, o interesse é construir um estilo próprio que não seja em nada semelhante com grandes nomes como Game of Thrones ou Vikings.

Se por um lado a série mistura o passado com o presente, ela acerta – e muito – na representação da cultura celta. A produção faz um excelente papel ao retratar essa cultura em suas principais características: a religião, a estrutura social e as disputas entre diferentes grupos. Outro ponto positivo, pouquíssimo falado por outras produções e convenientemente esquecido pela sociedade patriarcal: a cultura celta era igualitária entre os gêneros. A opinião de mulheres tinha o mesmo valor que a de um homem. Não sendo, portanto, à toa que temos personagens femininas tão importantes.

Imagem divulgação – Britannia

A série acerta também ao demonstrar a gigantesca diversidade da legião do Império Romano que se espalhou por três diferentes continentes. São negros, asiáticos, árabes e europeus provenientes dos variados territórios dominados pelo império, ocupando papeis importantes dentro da trama.

Apesar dos pontos positivos, a série demora para engatar. O primeiro episódio é uma completa confusão, são personagens jogados em meio a um cenário de batalha mal construído, as coisas vão acontecendo em um efeito bola de neve que não funciona dentro da narrativa. Todavia, se você for capaz de sobreviver ao primeiro episódio e aos deslizes históricos propositais, a partir do segundo episódio a série engrena em uma marcha progressiva e aos poucos conquista com personagens carismáticos e uma trama, no mínimo, curiosa.

Entre os celtas, a produção abusa da questão cultural, não faltam sacrifícios humanos, cerimônias de passagem e o ser humano enquanto parte realmente integrante da natureza. A espiritualidade rege os ciclos dessa sociedade, assim como interfere diretamente nos destinos de cada personagem. Quanto aos romanos, esses são os mesmos de sempre: altivos, poderosos, conquistadores e altamente nocivos a qualquer povo que esteja no caminho.

Em resumo, Britannia apresenta ao longo de seus nove episódios, um novo olhar para as produções de época, envolvendo uma enorme pitada de fantasia e contemporaneidade. A série possui o que é necessário para conquistar o público desde que este seja capaz de compreender a ficção dentro do contexto histórico.

FICHA TÉCNICA:

  • Título: Britannia – Temporada 1
  • Ano: 2017
  • Criador: Jez Butterworth
  • Direção: Christoph Schrewe, Luke Watson, Sheree Folkson, Susan Tully
  • Elenco: David Morrissey, Kelly Reilly, Zoë Wanamaker, Nikilaj Lie Kass, Eleanor Worthington-Cox, Liana Cornell, Stanley Weber, Mackenzie Crook.

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