Crítica | Castlevania – 2ª Temporada 

ATENÇÃO se você não assistiu a primeira temporada, essa crítica pode conter spoilers!

 

Se a primeira temporada de Castlevania foi uma verdadeira confusão composta por quatro episódios que não se aprofundaram em absolutamente nada, servindo apenas para introduzir o trio principal e o antagonista, contando, inclusive, com um final de efeito que mais parecia o fim de um episódio das Meninas Super Poderosas, a segunda temporada veio com força suficiente para conquistar não só o público fã dos games.

O segundo ano da série contou com oito episódios que basicamente se dividiram em dois grandes núcleos, unidos em um enorme mar de clichês. Mas você não deve entender isso como uma crítica negativa, afinal, clichês só viraram clichês devido às suas capacidades de conquistar o público e fazer sucesso. O clichê possui um apelo incrível e pode unir pessoas dos gostos mais variados em um único público.

Portanto, Castlevania construiu nessa segunda temporada um caminho através do sensível, onde é possível sentir afeição por quase todos os personagens, exceto por um ou dois que aparecem justamente para quebrar essa magia. Entendemos perfeitamente a ideia de Drácula de destruir a humanidade, ele não possui uma ira inconsequente, o que o move é uma profunda tristeza, sentimento visível em cada uma das vezes que o vemos debruçado sobre os punhos em alguma cadeira. A união entre Alucard, Sypha e Belmont revela o contraponto do perdão e um pouco da famosa fala sobre “perdoe-os, eles não sabem o que fazem”.

O roteiro evoluiu bastante de um ano para o outro, contudo, enquanto temos acesso aos planos e dores de Drácula, seus generais e fieis companheiros humanos, em uma trama política relativamente complexa, o trio principal fica isolado em busca de uma arma que possa destruir o maior vampiro da história, mas sem qualquer procura propriamente dita, o objetivo claro é demonstrar que os três tão diferentes personagens são capazes de se unir e criar laços afetivos entre eles, nenhum problema neste aspecto, o problema é que durante pelo menos cinco episódios, a impressão que temos é a de que eles estão curtindo um final de semana no porão dos Belmont, quando do nada (do nada mesmo, sem aviso prévio) tudo acontece, demonstrando uma dificuldade de inserir a profundidade relacional em um contexto complexo de apocalipse.

Screenshot – Castlevania

Por outro lado a narrativa se desenvolve muito bem dentro de algo que é muito semelhante às fases de um jogo. A primeira temporada apresenta o jogador principal no início de sua jornada, passando por um sábio, até encontrar a sua ajuda. Já a segunda temporada nos coloca em uma busca, upgrade de personagens e armas e até mesmo o gran finale com um chefão, tudo isso mantendo a qualidade das cenas de ação já existentes no primeiro ano.

O maior problema dessa temporada esteve na necessidade de introduzir o próximo ano da série, já confirmado pela Netflix. O episódio oito não tinha a menor necessidade de existir e podia ter sido resumido em dez minutos do primeiro episódio da terceira temporada. O último episódio perde o fôlego da série e encerra o clímax alcançado pelo episódio anterior, deixando uma baixa expectativa com o que está por vir, já que tudo ficou muito explicado.

Em todo caso, Castlevania evoluiu bastante de uma temporada para a outra, alcançando um bom nível de ação e profundidade na trama, fazendo jus ao que o nome da série de games representa para toda uma geração. Agora, em uma mudança drástica de cenário, ficamos torcendo para a qualidade continue a crescer e a animação se fortaleça, abrindo caminho para novas produções do gênero.

FICHA TÉCNICA:

  • Título: Castlevania – 2ª Temporada
  • Direção: Sam Deats, Spencer Wan, Adam Deats
  • Roteiro: Warren Ellis
  • Elenco (vozes originais): Richard Armitage, Graham McTavish, Alejandra Reynoso, James Callis, Tony Amendola, Matt Frewer, Emily Swallow, Theo James, Adetokumboh M’Cormack, Jaime Murray, Peter Stormare