Crítica | DARK: com tom sombrio, série alemã não é nada parecida com Stranger Things

Duas coisas sobre Dark precisam ser ditas ao início desta crítica: a primeira é que essa é uma produção alemã, e a segunda está diretamente conectada a primeira, por ser alemã, a série não é nada parecida com as produções norte-americanas de gênero semelhante.

Partindo desses dois pontos e do próprio título da série, é possível ter uma breve noção do que nos espera no momento em que começamos a assistir. Quem está familiarizado com as produções europeias, sabe que o estilo do continente é mais sombrio e com personagens extremamente humanos, o convívio, independente da natureza narrativa, é retratado com grande precisão de detalhes, não necessariamente com relação a deixar pontas soltas ou não, mas em questão de veracidade de sentimentos. Assim, Dark não destoa das produções conterrâneas e é realmente brilhante nesse aspecto. Mesmo com muitos personagens, a produção é capaz de dar não somente vida, mas uma alma a cada um deles ainda que sejam pouco trabalhados dentro do enredo.

Antes de sua estreia, muito se comparou a série com Stranger Things ou Les Revenant – série francesa – porém, nenhuma das comparações é válida. A verdade é que Dark não possui qualquer conceito inovador, portando inclusive desfechos óbvios, mas a construção realizada através dos episódios e a mistura de ideias que, sem sombra de dúvidas já vimos por aí inúmeras vezes, vão prendendo o espectador na história, não pelo arco principal em si, mas pelos personagens que se transformam de forma sutil, sem a preocupação de cativar, apenas de serem humanos. Proposital ou não, Dark deixa a ficção científica em segundo plano para tratar das situações complexas que ela pode ocasionar para uma população de uma cidade pequena.

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Imagem divulgação – Dark

Mas toda essa construção em torno dos personagens não teria qualquer efeito sem a poderosa trilha sonora que expande ao extremo a dor, o sofrimento, o desespero, o medo e a loucura. As pouquíssimas cenas que poderiam ser consideradas minimamente felizes, são tragadas para um poço de escuridão pelo excelente trabalho da música. Outro ponto que deve ser levado em consideração é a fotografia que, em conjunto com a trilha sonora, gera uma atmosfera sufocante de suspense em momentos simples como o café da manhã.

Dark é uma boa série desde que não se vá com muita sede ao pote. Ela caminha com lentidão e não faz questão de explicar em pormenores a loucura que é o seu enredo. A produção possui dez episódios que demoram a desenrolar quando se trata do mistério principal, como se a primeira temporada tivesse servido realmente para a introdução dos personagens e para apresentar a engrenagem que movimenta a trama.

A produção encerrou a sua primeira temporada abrindo um oceano de possibilidades para um possível segundo ano, e com tantas questões deixadas em aberto, a renovação por parte da Netflix é praticamente obrigatória, mas por enquanto, só resta aos assinantes esperar.

FICHA TÉCNICA:

  • Criação: Baran Bo Odar e Jantje Friese
  • Direção: Baran Bo Odar
  • Trilha sonora: Ben Frost
  • Fotografia: Nicolaus Summerer
  • Elenco: Louis Hofmann, Oliver Masucci, Jördis Triebel, Maja Schöne, Mark Waschke, Karoline Eichhorn, Stephan Kampwirth, Andreas Pietschmann.

Assista ao trailer:

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