Crítica | Game of Thrones: sétima temporada tem foco em dragões e romance clichê

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Imagem divulgação – Game of Thrones

Game of Thrones arrebatou o público desde a primeira temporada, era o que as pessoas precisavam e ansiavam: uma série em mundo diferente do que conhecemos, com relações diferentes das que somos permitidos a ter e um enorme grau de reflexão sobre a maldade da humanidade e a ânsia pelo poder. A série da HBO mostrou um imenso número de mortes e estupros, representou o incesto, o machismo enraizado, conflitos de gênero, questões de moral e ética, corrupção e, principalmente, o medo. No entanto, a série que vem acumulando ano após anos recordes de exibição, deixou de se importar com algo muito mais relevante do que simplesmente acompanhar os livros ou não. A verdade é que Game of Thrones deixou de lado aquilo o que todos nós mais elogiávamos, os roteiristas e produtores deixaram para trás a qualidade.

Esse fato não é algo recente, se pensarmos bem e deixarmos de lado o carinho que carregamos por ela, tudo vem ruindo e caminhando para o que temos hoje, desde a quinta temporada, onde o ritmo se torna lento – por lento, me refiro a uma necessidade encher linguiça durante os episódios – e fica claro que as coisas começam a se perder. Como se, depois de destruir a ordem em Westeros, os roteiristas não tivessem um caminho para colidir os inúmeros núcleos que criaram ao longo dos anos.

A sétima temporada foi um amontoado ridículo de batalhas sem sentido e atitudes absolutamente inverossímeis. Esperamos seis anos pela chegada de Daenerys (Emilia Clarke) em sua terra e quando ela chega, o foco não é a conquista do trono de ferro e também é o exército de gelo, mas sim um romance meia boca que surge do nada, em meio a uma briga de ajoelha ou não ajoelha, com Jon Snow. Existem problemas em um romance? Não. Existem problemas em um incesto? Já estamos acostumados. Mas após Daenerys e Jon passarem por tanta coisa no inferno de vida que ambos tiveram, nós esperávamos que Game of Thrones fosse capaz de fugir de algo tão óbvio.

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Imagem divulgação – Game of Thrones

Mas esse não foi o único problema. Em sete episódios, a série foi capaz de dar resoluções ao enredo que, na verdade, não resolvem nada. Em uma sucessão de acontecimentos empurrados guela abaixo, o que vimos foi a série de jogando de cabeça no comodismo dos efeitos especiais e em Dracarys excessivos. Daenerys assumiu não o papel de rainha, mas sim o papel uma salvadora da pátria impulsiva e inconsequente. Tanto tempo e sofrimento nessa saga à Westeros, para cometer erros estúpidos e agir como uma criança mimada, levando um de seus dragões à morte.

Outro ponto que incomodou a todos no decorrer dos episódios, foi a completa falta de coerência relativo ao tempo e espaço, mas não entraremos neste mérito, mas é impossível não se irritar com o fim dado a essa temporada. Os roteiristas subestimam a nossa inteligência e tentam impressionar com mirabolantes efeitos especiais e um dragão zumbi. Por falar em dragão zumbi, aparentemente a única coisa que impedia o rei da noite de atravessar a muralha, era a falta de um dragão, ou seja, Daenerys estava destinada a chega em Westeros, mas apenas para ajudar a trazer a real tormenta.

Partindo para outro núcleo da trama, assistimos a Cersei (Lena Headey) em uma labuta diária para manter o trono, a mulher que explodiu quase todos os seus inimigos, mais uma vez está correndo por fora para permanecer no poder. Nos primeiros episódios, a rainha permanece com a sua já conhecida crueldade, no entanto, ela vai se afundando em uma briga que, no fim, prenuncia como será o seu fim. Sozinha, Cersei vai cavando a sua própria cova, deixando de ser a estrategista das outras temporadas, para assumir de vez o papel lamentadora e rancorosa convicta.

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Imagem divulgação – Game of Thrones

Já os Starks encontram-se em Winterfell é esse encontro não poderia ter sido pior, mas ainda sim, proporcionou o melhor desfecho. Ver lorde Baelish (Aidan Gillen) morrer pelas mãos de Arya (Maisie Williams), julgado por Sansa (Sophie Turner) e com testemunho de Bran (Isaac Hempstead-Wright), nos deu esperança, no entanto, os Starks mereciam mais. Em todo esse caos que está prestes a chegar, os irmãos pareceram estar vivendo em um mundo alheio.

O brilhantismo que Game of Thrones possuía ao conseguir conduzir diversas narrativas ao mesmo tempo, sem abandonar ou esquecer de personagens se esvaiu em um direcionando excessivo à causa do exercito dos mortos que teve um desfecho pobre para a temporada. Personagens de destaque como Arya e Sansa foram literalmente colocados no gelo à espera do retorno do salvador Jon. A impressão que tivemos foi a de um roteiro forçado que precisa por fim em várias narrativas e vai fazer isso de maneira rápida, ignorando a profundidade já existente e trabalhada durante todos esses anos. Um roteiro que demonstra o potencial que sempre teve em cenas como o reencontro de Cersei e Tyrion (Peter Dinklage), mas que preferiu manter o ritmo preguiçoso em quase toda a temporada.

Para finalizar, é preciso dizer que a sétima temporada de Game of Thrones teve um bom começo, mas se perdeu e atingiu níveis inesperados de obviedade que sim, beiram as produções mais simples do gênero fantasia. Dragões e mortes dolorosas não são sinônimo de qualidade, e já não são mais efeito surpresa, estão mais para uma repetição que funciona como plano de fundo para o desenvolvimento de um romance clichê, que sofrerá com as consequências familiares ainda desconhecidas pelos personagens. É triste, mas nutrimos a esperança de que nos seis episódios – poucos para resolver a trama – que devem chegar em 2019 para finalizar a série, David Benioff e D. B. Weiss consigam colocar as peças em ordem e concluir uma das séries de maior sucesso da história de maneira satisfatória e compatível com tudo o que ela já representou.

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