Crítica | I Am Not Okay With This: série que empodera com super poderes

Com sete episódios de pouco mais de 20 minutos, I Am Not Okay With This é como aquele rápido momento de felicidade que vem ao experimentar uma comida deliciosa ou aquele êxtase após uma adrenalina: acaba muito rápido e deixa um gigantesco gosto de quero mais.

Adaptação da HQ homônima, a série acompanha Sidney, uma adolescente introvertida lidando com típicos problemas da adolescência em meio a um drama familiar. Mas, de uma hora para outra, a sua vida vira de cabeça para baixo, quando ela percebe que tem poderes especiais.

Dentro dessa narrativa, a trama se desenrola de maneira incrivelmente leve, e não se engane, o fato de contar com episódios curtos não quer dizer, de forma alguma, que algo deixou de ser dito ou que algum poderia ter sido melhor aprofundado. Tudo em cada um dos episódios é meticulosamente desenhado para que possamos nos apegar aos personagens, compreender os seus dramas e entender as relações.

Os episódios contam a narração de Sidney, um dos principais fatores que tornam a narrativa corrida satisfatória. A partir dessa narração é possível conhecer muito sobre a personagem principal e também sobre os secundários. Sidney pensa como uma adolescente, de maneira rápida e impulsiva. E é muito bonito perceber uma heroína – como ela detesta ser chamada – se formando.

Aliás, talvez esse seja exatamente o ponto chave de I Am Not Okay With This. A série que carrega consigo todo o teor adolescente, não se limita a ser apenas mais uma e surfando muito bem na onda de Stranger Things, cria personagens capazes de cativar em segundos. Mas devemos dizer aqui que a produção vai além ao abordar uma adolescente normal transformando-se em algo extremamente poderoso. Aqui a analogia é com o mundo onde meninas e mulheres são cobradas excessivamente dia após dia a serem o que não são, a não terem problemas como, por exemplo, algo tão natural como espinhas.

Sidney tem os seus complexos, mas a sua melhor amiga é a menina popular da escola, o recado aqui é um só: chega de rivalidade entre mulheres. E essa relação se transforma naturalmente durante a trama, sem qualquer necessidade de dramas exagerados.

Ao encontrar os seus poderes, é como também se Sidney estivesse lidando com o seu próprio empoderamento, tornando-se mais forte física e emocionalmente para lidar com as situações que estão acontecendo e as que ainda estão por vir.

I Am Not Okay This é um grande acerto da Netflix. Cheia de referências aos anos 80, como Carrie: A Estranha e Clube dos Cinco, a série não se prende às suas inspirações e exibe um desenvolvimento de causar inveja em muitas grandes produções por aí. Esperamos que a Netflix não nos decepcione e dê sequência à produção, do contrário não estaremos okay com isso.

(desculpem o péssimo trocadilho)