Crítica | Killing Eve – 2ª Temporada

Com uma enorme expectativa em seu segundo ano, Killing Eve, que havia sido renovada para a sua segunda temporada antes mesmo da estreia da primeira, continua a surpreender e prender o público, mas agora de uma maneira completamente diferente. Emerald Fennell, assume o lugar de Waller-Bridge como showrunner, sem medo de errar na mão com um roteiro que joga todas as suas cartas na mesa.

O que poderia ser um terrível clichê é, na verdade, uma das mais incríveis narrativas da televisão dos últimos anos. A segunda temporada da série veio com um objetivo muito claro: criar um elo ainda maior entre o público e os personagens, e aqui, quando falamos personagens, queremos dizer absolutamente todos os os personagens. Mesmo aquele que deveria ser o mais detestável, termina por ser também uma peça chave para toda a trama, sem a necessidade de criar uma espécie de ranço que possa afastar qualquer espectador da série.

Quanto às protagonistas, Sandra Oh segue brilhante em sua jornada para mais uma indicação ao Emmy e Globo de Ouro, por sua personagem Eve Polastri, e enquanto Jodie Comer cresce infinitamente como a serial killer Villanelle, que de tão cativante é capaz de criar uma gigantesca empatia por um ser humano que, segundo a moral, não deveria ser digno de bons sentimentos. As duas juntas representam uma das duplas mais intensas (por falta de palavra melhor) que essas que vos falam já viram.

O relacionamento, foco de toda a trama, ganha ainda mais espaço e é impossível tirar os olhos da tela quando as duas estão em cena. A sutileza demonstrada pelas duas em cenas que duram menos de dois minutos, onde acontece o roteiro consegue mesclar o drama e o sarcasmo de maneira impecável, tudo soa extremamente natural e verossímil, mesmo em situações absurdas. O ritmo da temporada, que repete os seus oito episódios, se mantém acelerado, sem dar qualquer margem para a desistência da audiência.

Outro destaque é a atriz Fiona Shaw, no papel de Carolyn Marters, assim como Nina Sosanya que estreia na série como parceira de Eve, e precisamos dizer que é maravilhoso ter tantas personagens femininas de tamanha potência em uma trama tão bem elaborada quanto Killing Eve.

Ao final da temporada temos um imenso e devastador cliffhanger, uma última cena que deixa a narrativa totalmente em aberto e diversas perguntas no ar. A tarefa de dar continuidade a série na terceira temporada ficará a cargo de Suzanne Heathcote, portanto, uma temporada ainda mais distinta, mas com um enorme potencial de colocar de uma vez Killing Eve no hall das melhores séries da década, tarefa realizada com sucesso pelas duas primeiras temporadas. Agora só podemos esperar.