Rebele-se | Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor

Nos Estados Unidos, um homem foi assassinado brutalmente pela polícia. Um homem negro, inocente e desarmado. Mais um. Mais um inocente que morre pelas mãos da polícia, pelas mãos de uma sociedade estruturada no racismo.

Desde então, em Minneapolis, cidade do ocorrido, a população negra de rebela. Um protesto que ganhou maiores proporções e alcançou o restante do país em meio à pandemia. Protestos que agora reúnem não somente a população negra, mas uma população que não aguenta mais a desordem e a injustiça.

Diante dos fatos e das imagens de fogo e destruição geradas pelos já vários dias de protestos, muitas pessoas apontam que nada se alcançará com a violência e que os protestos se igualam ao policial e a polícia assassina estadunidense.

Não. Não se pode confundir, como dizia Malcolm X, a violência do opressor com a reação do oprimido. O que está acontecendo nos Estados Unidos é o resultado de uma população que não aguenta mais ver os seus morrerem todos os dias sem motivo, sem justificativa. Um homem foi morto pelos joelhos de um policial. Isso é violência, isso é desumano. Incendiar prédios e destruir carros é protestar, é reagir, é agir por uma mudança.

Hoje (29) um jornalista da CNN foi preso de maneira extremamente violenta pela polícia que tentava conter os protestos. Preso ao vivo. Isso demonstra que a política da polícia não está preocupada ou equipada em defender a população, mas sim em apenas defender o Estado e por Estado entenda as forças que estão no comando.

A Revolução Francesa, origem ocidental da democracia liberal, não aconteceu de maneira pacífica, a Revolução Russa, berço do comunismo, não nasceu de maneira pacífica. Todo novo sistema, seja ele qual for, surge e emerge do caos, porque somente o caos pode destruir a ordem vigente. E a ordem vigente ainda é a do genocídio do negro, do pobre, da mulher, do homossexual, enquanto o homem-branco-hétero economicamente estável vive de seus privilégios.

Estamos vendo uma onda de protestos no país mais poderoso do mundo, ao mesmo tempo que estamos vendo nesse mesmo país, milhares de pessoas morrendo em uma pandemia. Esses fatos demonstram que há algo de muito errado nessa estrutura. Nós não precisamos abafar os protestos, nós precisamos aumentá-los. Precisamos que essa força de revolta torne-se também ação aqui no Brasil.

João Pedro foi brutalmente assassinado no Brasil, em casa. George Floyd brutalmente assassinado nos Estados Unidos. Não há mais palavras que possam ser ditas, não há mais o que dialogar com um Estado que insiste em manter uma política de morte. O mundo precisa agir, nós precisamos agir. Eu não consigo respirar. Nós não conseguimos respirar.