Lista | 4 mulheres artistas latino-americanas que você precisa conhecer

Temos como grande expoente feminino da arte na América Latina, a pintora Frida Kahlo que, indiscutivelmente, realizou feitos extraordinários, assim como uma arte brilhante. Hoje, Kahlo é lembrada e mundialmente reproduzida como ícone feminista. Na onda de Frida Kahlo queremos te apresentar outras quatro grandes mulheres latino-americanas que revolucionaram a arte não só daqui, como do mundo e que, infelizmente, diante de um mundo machista, ficaram reféns de um campo da arte dominado por homens e feito para homens. Veja abaixo:

María Izquierdo (1902-1955) México

A mexicana Maria Izquierdo começou a despontar em sua arte nos anos 30, quando seus retratos e pinturas místicas e surreais passaram a percorrer a Cidade do México. Desde então, Izquierdo desenvolveu a prática de  misturar elementos do mito e da cultura popular mexicana, a partir de sua própria identidade, emoções e subconsciente.

Em 1930, ela montou uma exposição individual de seu trabalho em Nova York, fazendo dela a primeira artista feminina mexicana a fazê-lo, antes mesmo de Frida Kahlo. No entanto, a popularidade da pintora entre a elite artística da Cidade do México começou a diminuir na década de 1940, quando Rivera e seu colega muralista David Alfaro Siqueiros, a impediram de receber um mural público ao qual ela concorreu. Os dois afirmaram que ela era inexperiente e, desde então, sua carreira padeceu. Com o tempo, seu legado e trajetória foram sendo apagados, mesmo com toda a sua influência entre os pintores e pintoras surrealistas que a sucederam.

Sueño y presentimiento, 1947

Zilia Sánchez (1928) Cuba

Zilia Sanchez renovou o mundo das formas geométricas, abusando do minimalismo em formas arredondas, definidas e consideradas por muitos, sensuais. Em 1964, ela viajou para Nova York, onde começou a fazer pintura em forma, uma prática que ela desenvolveu ainda mais em Porto Rico depois de mudar-se para lá nos anos 70.

Sánchez nasceu em Cuba e cresceu no período que antecede a revolução naquele país, iniciando a sua carreira como pintora e cenógrafa justamente para os grupos radicais Nascida em Cuba, Sánchez cresceu nos anos difíceis antes da revolução e começou sua carreira como pintora e cenógrafa para grupos radicais de guerrilha.

Exposição “Diálogos constructivistas en la vanguardia cubana”, 2016, Galeria Lelong, Nova York

Marisol Escobar (1930-2016) Venezuela

Proveniente de uma rica família venezuelana, Marisol Escobar nasceu em Paris e mudou-se para Nova York na década de 60, onde imergiu da cena da arte pop. Seu trabalho envolve esculturas lúdicas satíricas, repletas de influências da arte popular e também das culturas pré-colombianas.

As figuras totêmicas representavam personalidades famosas, como os Kennedy, e famílias comuns, ao mesmo tempo em que incorporavam elementos moldados pelo próprio corpo de Marisol. A arte dela esteve ao lado do movimento nascente da arte feminista, assim como sofreu em meio as sombras criadas pelos homens da época.

La ultima cena, 1963

Marta Minujín (1943) Argentina

Marta Minujín também passou a década de 1960 inserida no movimento pop art, onde ela ocasionalmente colaborou com Warhol. O trabalho de Minujín, no entanto, não se parecia em nada com as pinturas lisas e produzidas em massa pelo seu colega badalado. Por outro lado, suas esculturas de pelúcia, ambientes iluminados, brilhantes e apresentações públicas convidavam à participação ativa do público.

Na década de 1960, Minujín começou a transformar colchões multicoloridos em formas volumosas que se referiam ao corpo humano, sexo e descanso. Eles se tornaram elementos centrais de ambientes como, no qual Minujín encorajava o público a entrar e divertir-se com almofadas. O trabalho de Minujín também abordou questões políticas, como os males do regime totalitário e a opressão, em sua série “A Queda dos Mitos Universais”, ela erigiu réplicas de monumentos famosos, como o Partenon, montado em Buenos Aires, logo após a queda da ditadura, usando objetos carregados, como livros proibidos pela antiga ditadura argentina. Depois que uma determinada estrutura é desmontada, suas partes são distribuídas ao público.

Parthenon de Livros, 1983, Av. 9 de Julho, Buenos Aires