Acabou Chorare: o maior legado de Moraes Moreira e Novos Baianos

Acabou Chorare, disco dos novos que já foi classificado como o melhor álbum da história da música brasileira, pela Revista Rolling Stone, marcou gerações e se mantém como um dos grandes clássicos da música nacional no imaginário brasileiro.

Batizado a partir de uma fala de Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, que ao cair e ser socorrida pelo pai, disse, “acabou chorare, papai”, o álbum traz algo como o que uma criança sente ao cair: um misto de emoções que aqui se traduzem em uma união incrível de diversos ritmos, que vão do rock com as guitarras rasgadas de Hendrix, até à bossa nova do próprio João Gilberto. Esse é do tom do maior álbum da banda formada por Moraes Moreira, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi Carvalho, Jorginho Gomes e Luiz Galvão.

A beleza do álbum está na sutileza de suas canções que, mesmo ao esbanjar um instrumental monumental, conseguem ser de fácil assimilação. Acabou Chorare não pode ser comparado a grandes álbuns da época justamente por não possuir qualquer vestígio de intelectualismo em suas notas. Os Novos Baianos conseguiram, ao se reunirem com simplicidade até mesmo exagerada em uma casa, produzir um álbum absolutamente popular e atemporal.

Acabou Chorare é um resumo de uma história de amor com a música. De maneira pura e simples, acordes complexos são mesclados com notas simples e um gingado que caracteriza um Brasil de norte a sul. Como grandes artistas que para criar verdadeiramente precisam dominar toda a técnica, e o resultado de tamanho domínio sobre uma linguagem, significa somente uma coisa: uma obra de arte.

O legado de Moraes Moreira, músico que gravou 40 álbuns e nesse 13 de abril deixa o planeta, vive de maneira luminosa, com música que toca o corpo, o coração e a alma. Arte não morre e quase 50 anos depois, Acabou Chorare e prova de que a arte vive e faz viver.