Balanço: Doctor Who – Décima Temporada

A décima temporada de Doctor Who demorou, mas quando chegou, mais uma vez abalou as estruturas do universo. A temporada, última do fantástico Peter Capaldi como Doutor, também marca a saída de Steven Moffat como showrunner. Os doze episódios tiveram muita história a contar e um grande final a ser construído.

Certamente, um dos pontos mais importantes dessa temporada chama-se Bill Potts. Em 2015, como todos lembram, o Doutor perdeu mais uma companheira de maneira trágica: Clara Oswald se foi. Como sempre, a missão de substituir uma antiga companheira não é fácil, assim como não foi fácil para Clara, Amy, Martha, Donna e Rose.

No entanto, Bill conquistou o público com uma simplicidade que, realmente, só ela poderia expressar. Foi essa mesma simplicidade que levou o próprio Doutor a procurá-la. Por mais que, a princípio, ele tenha tentado isolar a moça do problema naquele primeiro episódio, já estava claro que o seu objetivo era ter Bill presente em suas aventuras.

A personagem também trouxe com ela cicatrizes e questões sociais: Bill, além de ser negra, é também lésbica. Os diálogos que traziam essas questões à tona foram magistrais, desde um alienígena azul a julgando por ser racista, devido ao seu estranhamento natural por ele ser de uma cor estranha, até a naturalidade com que os romanos da Nona Legião enxergavam as orientações sexuais. Outro ponto positivo nessa questão, é o fato de Bill conseguir explanar a sua sexualidade sem que existisse qualquer atmosfera complexa em volta da situação. A naturalidade que deve existir, seja na vida ou na televisão.

O final da companheira foi mais um que entrou para a lista de todas as despedidas trágicas de companheiras. Bill morreu, foi ressuscitada, foi transformada em Ciberman e logo depois ganhou a chance de continuar vivendo e ter um romance com Heather. Um final trágico, mas como todos os outros, misericordioso. Apesar de nada ainda definido, o retorno de Bill para a próxima temporada é mais do que incerto.

A temporada também foi marcada por um forte discurso sobre aquilo que é certo ou errado, moralidade, ética, o que significa ser bom. Em parte, o próprio Doutor discutia consigo mesmo até onde a sua verdade era realmente o certo. Depois de tantas guerras e mortes em suas costas, seria ele ou o universo um problema? Desde a última regeneração, esse foi um dilema vivido por ele, mas nessa temporada, em especial, esse dilema era de Missy.

A senhora do tempo travou durante os episódios uma batalha com ela mesma, subindo a passos lentos uma escada para a evolução moral. Mesmo tentando fazer algo bom, Missy acaba fazendo algo que o Doutor nunca aprovaria ao assassinar sua regeneração anterior, o Mestre. O final das duas regenerações é emblemático, ela nunca poderia ser boa como o Doutor esperava ser possível, a sua alma, independente de regeneração, não tinha salvação.

O nosso senhor do tempo também não teve sorte. O Doutor vivido por Capaldi surpreendeu muita gente, partiu de um velho ranzinza – um enorme contraste com o Doutor anterior – para um alienígena amigável e muito sorridente.

Desde o início ele se mostrou bastante rígido no que diz respeito a regenerar-se novamente. A sua recusa é tão forte que a season finale não foi o suficiente para dar fim a essa regeneração, o desfecho ficou para o sempre tão esperado especial de natal.

Em resumo, essa temporada tratou de concluir com uma minuncia impecável tanto a história de alguns personagens, como tambem e, principalmente, a história de Moffat com a série. A saída do showrunner deixa nossos corações preocupados, mas na certeza de que ele coloca esse maravilhoso espetáculo chamado Doctor Who em boas mãos. E que venha o natal!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.